Silvio Ximenes Imobiliária
Silvio Ximenes Imobiliária
Definir o preço de um imóvel pode parecer simples: pesquisar apartamentos semelhantes no mesmo bairro, comparar o valor do metro quadrado e chegar a uma média. Na prática, porém, uma avaliação mercadológica de imóvel exige uma análise mais ampla.
Localização, metragem, estado de conservação, idade e padrão do prédio, vagas de garagem, andar, posição, vista, infraestrutura do condomínio e, principalmente, o comportamento da oferta e da demanda naquela região podem alterar significativamente o valor.
Em Belo Horizonte, essa análise ganha ainda mais importância em 2026. Dados do Data Secovi mostram que o número de imóveis comercializados na capital caiu no primeiro semestre, enquanto o valor médio do metro quadrado privativo aumentou. Ou seja: menos vendas não significaram necessariamente queda de preços.
Para o proprietário, entender essa dinâmica é fundamental para evitar dois problemas comuns: anunciar acima do que o mercado absorve ou colocar o imóvel à venda abaixo de um valor compatível com suas características.
A avaliação mercadológica busca determinar um valor de comercialização compatível com o mercado, considerando as características específicas do imóvel e o contexto no qual ele está inserido.
Não se trata simplesmente de escolher um preço desejado pelo proprietário ou copiar o anúncio de outro imóvel.
A Resolução nº 1.066/2007 do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) define o Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica (PTAM) como um documento elaborado por corretor de imóveis no qual é apresentada, com base em critérios técnicos, uma análise de mercado para determinar o valor de comercialização do imóvel.
É importante também fazer uma distinção: uma avaliação comercial para orientar a colocação do imóvel no mercado e um PTAM formal não são necessariamente a mesma entrega. O PTAM segue requisitos específicos estabelecidos pelo sistema Cofeci-Creci.
Uma avaliação consistente começa pelo próprio imóvel, mas não termina nele.
O profissional precisa entender tanto as características da propriedade quanto a realidade do mercado ao redor.
Entre os fatores que normalmente precisam ser analisados estão:
No caso de um PTAM, a Resolução Cofeci nº 1.066/2007 determina requisitos mínimos como identificação do solicitante, objetivo do parecer, caracterização do imóvel, metodologia utilizada, valor resultante e sua data de referência, além da identificação e assinatura do profissional responsável.
Esse é um dos pontos mais importantes para quem pretende vender.
Encontrar cinco apartamentos anunciados por R$ 1 milhão em determinado bairro não significa automaticamente que um sexto apartamento semelhante vale R$ 1 milhão.
Os portais imobiliários mostram, em grande parte, preços pedidos pelos proprietários. Eles não necessariamente revelam por quanto aqueles imóveis serão efetivamente vendidos.
Um anúncio pode permanecer meses no mercado justamente porque seu preço está desalinhado.
Por isso, os anúncios são uma fonte importante para compreender a concorrência, mas precisam ser interpretados em conjunto com outros elementos.
Não.
O valor por metro quadrado é uma referência importante para compreender determinado mercado, mas usar somente uma média pode gerar distorções.
Imagine dois apartamentos com exatamente 120 m² no mesmo bairro. Um pode estar reformado, possuir três vagas livres, andar alto e vista definitiva. O outro pode precisar de reforma, ter uma vaga presa e estar localizado em um prédio sem elevador.
A metragem é igual. O produto imobiliário, não.
Até dentro de um mesmo bairro existem diferenças relevantes entre ruas, edifícios e microrregiões.
É justamente por isso que uma avaliação individualizada é diferente de simplesmente consultar a média de preço de uma região.
O comportamento do mercado belo-horizontino em 2026 ajuda a mostrar por que avaliações baseadas apenas em uma média podem ser problemáticas.
Segundo o Data Secovi, 12.099 imóveis foram comercializados em Belo Horizonte no primeiro semestre de 2026, considerando imóveis residenciais, comerciais e lotes. Foram 12.970 no mesmo período de 2025, uma retração de 6,7%.
Os apartamentos representaram a maior parte do mercado: foram 9.485 unidades comercializadas, 7,1% abaixo das 10.206 registradas no primeiro semestre de 2025.
Ao mesmo tempo, o Data Secovi apontou crescimento de 1,5% no valor médio do metro quadrado privativo, de R$ 14.356 no primeiro semestre de 2025 para R$ 14.574 no mesmo período de 2026.
Os dados mostram uma situação importante: volume de vendas e preço não necessariamente caminham na mesma direção.
Além disso, o desempenho foi diferente entre os segmentos. No primeiro semestre, as vendas recuaram 33,2% no padrão Luxo, 25,9% no Alto e 19,3% no Médio, enquanto Super Luxo e Econômico Faixa 4 tiveram crescimento conjunto de 4,8%.
Isso significa que não existe um único “mercado imobiliário de BH”. Faixa de preço, bairro e perfil do imóvel fazem diferença.
Não existe uma resposta única.
No primeiro trimestre de 2026, o valor médio dos imóveis residenciais efetivamente comercializados em Belo Horizonte chegou a R$ 689,9 mil, segundo dados da CMI/Secovi-MG. Em 2025, a média havia sido de R$ 662,8 mil.
Mas essa média da cidade não deve ser utilizada isoladamente para precificar uma propriedade.
No primeiro semestre de 2026, por exemplo, o Data Secovi identificou valores médios superiores a R$ 21 mil por m² privativo em bairros como Lourdes, São José e Gutierrez. Já Pilar, Madre Gertrudes e Olaria ficaram abaixo de R$ 3.150/m² no levantamento.
Mesmo dentro desses bairros, porém, dois imóveis podem apresentar valores bastante diferentes.
Bairro é uma variável da avaliação, não a avaliação inteira.
Existe uma percepção comum de que vale a pena começar com um preço muito alto porque “depois é só negociar”.
Essa estratégia tem riscos.
O comprador atual consegue comparar dezenas de opções em poucos minutos. Quando um imóvel aparece significativamente acima de propriedades comparáveis, ele pode simplesmente deixar de entrar na lista de visitas.
Com isso, o proprietário corre o risco de perder justamente o período inicial do anúncio, quando a propriedade é novidade para potenciais compradores.
Depois de meses anunciado e sucessivas reduções de preço, o imóvel ainda pode gerar questionamentos sobre o motivo de permanecer tanto tempo disponível.
Isso não significa que todo imóvel precise ser anunciado pelo menor preço possível. Significa que o preço inicial precisa ter fundamentação.
Sim.
Uma avaliação mercadológica não serve apenas para evitar preços excessivamente altos. Ela também ajuda o proprietário a identificar características capazes de diferenciar seu imóvel.
Uma vaga adicional, uma reforma recente, uma área privativa, uma vista específica ou determinada localização podem ter relevância comercial.
Por isso, precificar corretamente significa buscar equilíbrio: um valor defensável diante das características do imóvel e das condições do mercado naquele momento.
A localização é uma das partes centrais da análise.
Um apartamento não pode ser separado completamente do lugar onde está inserido.
A avaliação pode considerar proximidade de:
Também é importante observar transformações urbanas em andamento.
Uma mudança viária, um novo empreendimento ou uma alteração relevante na oferta local pode modificar a dinâmica da região. Isso não significa assumir automaticamente que determinado projeto fará um imóvel valorizar, mas o contexto urbano faz parte da análise.
O principal benefício é tomar uma decisão de preço com mais informação.
O valor que o proprietário deseja receber é importante para seu planejamento financeiro, mas o mercado não define preços a partir das necessidades individuais de quem vende.
A avaliação ajuda a aproximar expectativa e realidade de mercado.
Uma precificação tecnicamente fundamentada também facilita a compreensão da proposta.
Isso não elimina a negociação. O comprador continua podendo apresentar uma oferta e o proprietário decidir se aceita.
A diferença é que as partes passam a ter referências mais consistentes para negociar.
A avaliação pode ajudar na comparação entre oportunidades, mas o investidor precisa observar também outros indicadores, como aluguel potencial, vacância, custos condominiais, manutenção, liquidez e horizonte de investimento.
Não necessariamente.
Uma imobiliária pode realizar uma análise mercadológica voltada à definição da estratégia de venda ou locação.
Já o Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica é um documento formal regulamentado pelo Cofeci.
Segundo a Resolução nº 1.066/2007, o PTAM pode ser elaborado por corretor de imóveis regularmente inscrito no Conselho Regional. A norma também estabelece o Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários (CNAI), cuja inscrição possui requisitos próprios, e prevê selo certificador para os profissionais inscritos no cadastro.
Portanto, quando houver necessidade de um documento formal — especialmente para finalidade judicial, patrimonial ou outra situação específica — é importante esclarecer previamente qual tipo de avaliação ou documento é necessário.
Para manter uma avaliação atualizada, é importante observar continuamente o comportamento do mercado.
Isso é especialmente relevante porque uma avaliação representa determinado momento de mercado.
Em 2026, por exemplo, Belo Horizonte combina queda no número total de vendas no primeiro semestre com aumento do valor médio do metro quadrado privativo. Além disso, os resultados variam significativamente entre diferentes padrões de imóveis.
Taxas de juros, condições de financiamento, oferta de imóveis, lançamentos, renda das famílias e mudanças no perfil da demanda também podem alterar o ambiente de negociação.
Por isso, uma avaliação realizada há bastante tempo pode precisar ser atualizada antes de o imóvel entrar efetivamente no mercado.
O caminho mais seguro é realizar uma análise individualizada, considerando características do imóvel, localização, conservação, concorrência e comportamento recente do mercado. Consultar apenas anúncios semelhantes pode fornecer uma referência inicial, mas não necessariamente o valor adequado de comercialização.
Não necessariamente. O valor utilizado pelo poder público para fins tributários possui finalidade própria e não deve ser tratado automaticamente como o preço pelo qual o imóvel pode ser vendido no mercado.
O preço por metro quadrado é uma referência, mas não substitui uma avaliação completa. Estado de conservação, vagas, posição, andar, condomínio, padrão construtivo e localização específica podem provocar diferenças relevantes entre imóveis com a mesma metragem.
Não necessariamente. Em geral, o anúncio mostra o valor pedido, enquanto o preço final pode ser diferente após a negociação. Por isso, preço anunciado e preço efetivamente negociado não devem ser tratados como sinônimos.
O mercado imobiliário muda ao longo do tempo. Oferta, demanda, crédito, juros e características da região podem se alterar. Por isso, o valor encontrado deve estar associado a uma data de referência. No caso do PTAM, a própria regulamentação exige a indicação do valor resultante e de sua data de referência.
Não necessariamente. Um preço maior no anúncio não altera, por si só, a disposição do mercado em pagar por aquele imóvel. O objetivo da avaliação é encontrar uma referência fundamentada para a comercialização, e não simplesmente confirmar a maior expectativa possível.
A avaliação mercadológica de imóvel é uma etapa estratégica para quem pretende vender uma propriedade.
Ela combina características individuais, localização, imóveis comparáveis e condições atuais de oferta e demanda para estabelecer uma referência de comercialização.
Em Belo Horizonte, os números de 2026 reforçam a importância dessa análise: enquanto o volume total de imóveis vendidos recuou no primeiro semestre, o valor médio do metro quadrado privativo aumentou. E o desempenho foi bastante diferente entre os segmentos.
Por isso, o preço de um imóvel não deve ser definido apenas pela média do bairro, pelo valor de outro anúncio ou pela expectativa do proprietário.
Para quem pretende vender um imóvel em Belo Horizonte, contar com uma avaliação baseada no comportamento real do mercado ajuda a construir uma estratégia de comercialização mais consistente. Com mais de 75 anos de atuação em Belo Horizonte, a Silvio Ximenes Imobiliária acompanha diferentes regiões e segmentos da cidade e pode orientar o proprietário desde a avaliação até a negociação.


