Silvio Ximenes Imobiliária
Silvio Ximenes Imobiliária
O Centro de Belo Horizonte vive um momento diferente de boa parte de sua história recente. Conhecido pela concentração de comércio, serviços, transporte e edifícios tradicionais, o coração da capital mineira está novamente no centro das discussões sobre moradia e mercado imobiliário.
A mudança não acontece apenas no discurso. Belo Horizonte já possui legislação específica para incentivar o retrofit de prédios antigos e, em 2025, licenciou o primeiro empreendimento desse tipo sob as novas regras: um antigo edifício comercial será transformado em um residencial com 124 apartamentos.
Em 2026, a Prefeitura avançou também com o projeto Somos Centro, que busca aumentar a oferta de moradias, recuperar imóveis degradados e ocupar espaços subutilizados na região central.
Ao mesmo tempo, o Centro continua oferecendo uma característica difícil de reproduzir em outros pontos de Belo Horizonte: uma enorme concentração de comércio, serviços, transporte, cultura e trabalho em uma área onde muitas atividades podem ser realizadas a pé.
Mas como é morar no Centro? Quanto custam os imóveis? Para quem a região faz sentido? E o que a transformação urbana pode representar para proprietários e investidores?
Durante décadas, o Centro consolidou sua imagem como principal polo comercial e de serviços da capital.
A região reúne bancos, hospitais, universidades, órgãos públicos, restaurantes, lojas, supermercados, equipamentos culturais e uma ampla rede de transporte coletivo.
Essa concentração cria uma dinâmica urbana bastante diferente da encontrada em bairros predominantemente residenciais.
Quem mora no Centro convive diariamente com grande circulação de pessoas, comércio intenso e facilidade para acessar diferentes serviços.
Ao mesmo tempo, a experiência pode variar significativamente de uma rua para outra.
Ruído, movimentação noturna, conservação dos edifícios, estacionamento e fluxo de pedestres são fatores que precisam ser considerados antes de escolher um imóvel.
Morar no Centro pode ser especialmente interessante para quem valoriza mobilidade e praticidade.
A localização facilita o acesso a diferentes regiões da cidade e permite que diversas tarefas sejam realizadas sem grandes deslocamentos.
A região é atravessada ou conectada por importantes vias, como Avenida Afonso Pena, Avenida Amazonas, Avenida Augusto de Lima, Avenida Paraná e Avenida Santos Dumont.
Também concentra grande quantidade de linhas de ônibus e possui acesso ao sistema metroviário.
Na prática, isso permite que determinados moradores reduzam a dependência do automóvel, característica especialmente relevante em uma cidade marcada por deslocamentos diários entre diferentes regiões.
Uma das principais vantagens do Centro é a diversidade de atividades disponíveis no entorno.
Além do comércio tradicional, a região reúne alguns dos lugares mais conhecidos de Belo Horizonte.
O Mercado Central, por exemplo, foi criado em 1929 e se tornou um dos símbolos da capital. Atualmente, além do abastecimento, funciona como importante espaço gastronômico, cultural e turístico.
Outro exemplo é o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, inaugurado em 26 de setembro de 1897, antes mesmo da inauguração oficial da nova capital mineira.
Localizado no Hipercentro, possui quase 193 mil m² e é considerado pela Prefeitura o patrimônio ambiental mais antigo de Belo Horizonte.
O Centro também reúne espaços culturais, teatros, restaurantes tradicionais e outros equipamentos que ajudam a explicar a intensa circulação de pessoas pela região.
Os preços variam bastante porque o estoque imobiliário do Centro é extremamente heterogêneo.
Em setembro de 2026, anúncios disponíveis no ZAP Imóveis indicavam valor médio próximo de R$ 5,4 mil por metro quadrado para imóveis à venda no Centro, com preço médio anunciado próximo de R$ 471 mil.
É fundamental interpretar esses números corretamente.
Eles representam preços pedidos em anúncios, e não necessariamente os valores pelos quais os imóveis são efetivamente vendidos.
Além disso, uma média geral reúne apartamentos compactos, unidades grandes e antigas, imóveis reformados, salas comerciais e diferentes padrões construtivos.
A própria plataforma mostra diferenças importantes de preço conforme tamanho e quantidade de dormitórios.
Por isso, dois apartamentos com metragem semelhante no Centro podem ter valores bastante diferentes.
A idade e a diversidade do estoque imobiliário ajudam a explicar.
O Centro possui muitos edifícios construídos em períodos diferentes da expansão de Belo Horizonte.
Em alguns deles é possível encontrar características menos comuns nos lançamentos atuais, como:
Por outro lado, edifícios antigos também exigem atenção.
Elevadores, fachada, instalações hidráulicas e elétricas, acessibilidade, garagem, portaria e situação financeira do condomínio precisam entrar na avaliação.
Por isso, comparar imóveis apenas pelo preço por metro quadrado pode ser insuficiente.
Nos anúncios disponíveis no ZAP Imóveis em setembro de 2026, o aluguel no Centro aparece próximo de R$ 32 a R$ 33 por metro quadrado por mês.
Novamente, trata-se de uma referência baseada em imóveis anunciados, e não necessariamente em contratos efetivamente fechados.
O preço pode variar significativamente conforme metragem, reforma, mobiliário, garagem, conservação do prédio e localização.
Apartamentos menores e modernizados, por exemplo, podem apresentar preço por metro quadrado superior ao de unidades grandes em edifícios antigos.
Sim. Essa é justamente uma das características que diferenciam a região.
A concentração de ônibus, metrô, comércio, serviços e empregos permite que determinados moradores realizem grande parte das atividades cotidianas a pé ou utilizando transporte coletivo.
Essa característica também ajuda a explicar por que a ausência de vaga de garagem não necessariamente inviabiliza um apartamento no Centro.
Ainda assim, para compradores que utilizam carro diariamente, a existência de vaga pode ter impacto importante na escolha e na comparação de valor entre imóveis.
O ponto mais importante do cenário atual é a tentativa de aumentar novamente a presença de moradores na região central.
A Prefeitura mantém o Projeto Transformador Somos Centro, criado para enfrentar problemas como imóveis subutilizados, envelhecimento das edificações e esvaziamento populacional em partes da região central.
Entre os objetivos oficiais estão recuperar a função residencial, requalificar espaços públicos, fortalecer o comércio e atrair investimentos.
O programa prevê ações até 2028, incluindo incentivos ao retrofit, reocupação de lojas ociosas, arborização, intervenções urbanísticas e iniciativas voltadas à segurança e ao desenvolvimento econômico.
Uma das principais iniciativas é a proposta da Operação Urbana Simplificada Somos Centro.
Em setembro de 2026, o Projeto de Lei 574/2025 havia sido aprovado em segundo turno pela Câmara Municipal e aguardava redação final antes de seguir para análise do prefeito.
Portanto, é importante diferenciar o que já existe do que ainda está em processo legislativo.
A proposta pretende incentivar:
A área abrangida pelo programa é maior que o bairro Centro e alcança aproximadamente 8,5 km² da região central.
Segundo a Prefeitura, existem cerca de 1.200 galpões subutilizados ou abandonados na área considerada pelo programa.
A ideia é aproveitar parte desse patrimônio construído em vez de depender exclusivamente de novas edificações.
O retrofit já deixou de ser apenas uma possibilidade teórica em Belo Horizonte.
Em junho de 2025, a Prefeitura concedeu o primeiro Alvará de Construção para um projeto enquadrado na Lei do Retrofit.
O projeto prevê transformar um edifício comercial construído em 1940, no Hipercentro, em um empreendimento residencial com 124 apartamentos.
A Lei Municipal nº 11.783/2024 e o Decreto nº 19.151/2025 criaram regras específicas para reforma, adaptação e regularização de prédios no Hipercentro e em áreas próximas.
Entre os objetivos está permitir que imóveis antigos recebam novos usos, inclusive combinando moradia, comércio e serviços.
O retrofit é diferente de simplesmente reformar um apartamento.
Ele envolve uma intervenção mais ampla na edificação, adaptando estruturas antigas às necessidades e normas contemporâneas.
Para o Centro, isso pode abrir uma nova frente de oferta residencial.
A lógica está relacionada ao melhor aproveitamento da infraestrutura urbana existente.
O Centro já possui transporte, comércio, equipamentos públicos, redes de infraestrutura e grande quantidade de edifícios.
Ao incentivar a transformação de imóveis subutilizados em moradias, o poder público busca aumentar a população residente sem depender exclusivamente da expansão da cidade para novas áreas.
Também existe uma lógica econômica.
Mais moradores podem aumentar a demanda por supermercados, restaurantes, farmácias, academias, serviços e comércio de proximidade.
Isso não significa, entretanto, que todo prédio antigo seja adequado para retrofit.
Viabilidade técnica, custos de obra, estrutura, legislação e demanda precisam ser analisados individualmente.
A transformação da região não envolve apenas moradia.
Em agosto de 2026, a Prefeitura anunciou a requalificação do antigo complexo da Escola de Engenharia da UFMG.
O imóvel estava sem uso havia 17 anos.
A proposta é transformar o complexo em espaço institucional capaz de receber até 2,4 mil servidores municipais, além de comércio, serviços, cultura e áreas de convivência.
A expectativa da administração municipal é aumentar a circulação de pessoas naquela área e estimular novas atividades econômicas.
Para o mercado imobiliário, projetos desse tipo são relevantes porque o comportamento de uma região depende de muito mais do que novos apartamentos.
Empregos, comércio, segurança, espaços públicos, serviços e circulação de pessoas também interferem na decisão de morar ou investir.
A transformação do Centro cria oportunidades, mas também exige cautela na análise.
O Centro pode oferecer uma relação interessante entre localização, metragem e preço quando comparado a regiões mais valorizadas da Centro-Sul.
Mas o comprador deve analisar o edifício tão cuidadosamente quanto o apartamento.
Antes de fechar negócio, vale observar:
Também é recomendável conhecer a rua em diferentes horários.
A localização pode ser especialmente interessante para estudantes, profissionais que trabalham na região central e pessoas que utilizam transporte público.
Nesse caso, distância do trabalho, metrô, ônibus, comércio e serviços podem pesar mais do que garagem ou estrutura de lazer.
O momento de transformação não significa valorização automática.
A precificação continua dependendo das características específicas do imóvel, prédio, conservação, localização, oferta concorrente e demanda.
Um apartamento reformado em edifício bem administrado pode disputar um público diferente daquele de uma unidade que exige grandes intervenções.
O Centro merece atenção justamente pela combinação entre preço de aquisição, infraestrutura existente e iniciativas de reocupação.
Mas expectativa de revitalização não deve ser confundida com garantia de retorno.
Antes de investir, é necessário calcular:
Esse é justamente um dos objetivos declarados das políticas urbanas atuais.
O Projeto Transformador Somos Centro estabelece a recuperação da função residencial como um dos resultados esperados.
A proposta faz sentido dentro de uma discussão maior sobre cidades: aproximar moradia, emprego e serviços pode reduzir deslocamentos e aproveitar melhor a infraestrutura que já existe.
Mas o resultado dependerá da execução das políticas, da adesão dos proprietários e investidores e da capacidade de tornar diferentes partes da região atrativas para novos moradores.
Portanto, o aumento da população residente deve ser entendido como objetivo de política urbana, e não como resultado já garantido.
Alguns movimentos serão especialmente importantes para entender se a transformação conseguirá ganhar escala:
A combinação desses indicadores permitirá avaliar se o Centro está efetivamente entrando em um novo ciclo residencial.
O Centro pode ser interessante para quem prioriza mobilidade, comércio, serviços e facilidade para realizar atividades a pé. A experiência varia bastante conforme a rua, o edifício e a rotina do morador.
Em setembro de 2026, anúncios do ZAP Imóveis indicavam aproximadamente R$ 5,4 mil/m² como média pedida para venda no Centro. O valor é uma referência de anúncios e não representa necessariamente o preço efetivamente negociado.
Os anúncios disponíveis no ZAP Imóveis indicavam aproximadamente R$ 32 a R$ 33/m² por mês em setembro de 2026. O preço real varia conforme imóvel, tamanho, conservação, localização, garagem e características do edifício.
Sim. A região possui iniciativas como Centro de Todo Mundo, legislação específica de retrofit e o Projeto Transformador Somos Centro. Entretanto, as ações possuem diferentes estágios de implementação, e parte das medidas propostas pela Operação Urbana Somos Centro ainda depende do processo legislativo e de execução.
Retrofit é a modernização e adaptação de um edifício existente para atender novos usos e exigências atuais. Em Belo Horizonte, a legislação permite incentivar a transformação de prédios antigos do Hipercentro, inclusive para uso residencial.
Pode fazer sentido dependendo do imóvel, preço de aquisição, demanda de locação, custos de reforma e objetivo do investidor. Os projetos de requalificação são fatores relevantes para acompanhar, mas não garantem valorização futura.
O Centro de Belo Horizonte reúne uma combinação difícil de encontrar em outras regiões: localização central, transporte público, comércio, serviços, cultura e um grande estoque de imóveis construídos ao longo de diferentes momentos da história da cidade.
Agora, um novo elemento entra nessa equação.
Belo Horizonte tenta trazer mais moradores para sua área central, recuperar edifícios subutilizados e criar novos usos para estruturas existentes.
O primeiro retrofit residencial aprovado, os programas de requalificação e o Somos Centro mostram uma direção clara de política urbana.
O impacto real dessas iniciativas, entretanto, dependerá dos próximos anos.
Para quem pretende comprar, vender, alugar ou investir no Centro, acompanhar essas transformações é importante, mas a decisão continua exigindo análise individual do imóvel, do edifício, da rua, dos custos e dos objetivos de cada pessoa.
Com mais de 75 anos de atuação em Belo Horizonte, a Silvio Ximenes Imobiliária acompanha as transformações da cidade e do mercado imobiliário local. Em um bairro tão diverso quanto o Centro, conhecer as particularidades de cada imóvel continua sendo fundamental para uma decisão bem informada.


